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Mundialização, Globalização, Localização e Glocalização

Gilbert Gilles GERTEINY
Professor convidado do Projeto Candido Mendes Master e Consultor internacional

No sentido europeu, a palavra mundialização designa a empresa que se instala na maioria dos países. A palavra Globalização é um termo da psicologia, que nada tinha a ver antigamente com o comercio mundial. Hoje, porém, no estrito senso de Mundialização, a Globalização é seu correspondente em inglês e consequentemente em português.

Em economia o termo Localização designa o poder econômico e político das cidades, dos municípios e de outras coletividades locais. Localização é sinônimo de autonomia local.

A Globalização local, chamada Glocalização, é a tendência que têm certas multinacionais em delegar parte de seu poder decisório aos dirigentes das sucursais no estrangeiro. Ao adaptar a cultura da empresa às condições locais, elas se tornam ainda mais competitivas. Os termos Globalização Local e Glocalização são muitas vezes criticados. (Fonte Grande dicionário terminológico).

Glocalização (o que é “Glocal”) é uma combinação de Global e de Local. É um conceito que junta as tendências globais às realidades locais.

Segundo o sociólogo da universidade de Aberdeen, na Escócia, Roland Robertson, o conceito de “Glocalização” tem o mérito de restituir à Globalização uma realidade multidimensional e ao mesmo tempo, ainda segundo Robertson, a mistura entre global e local evita que o termo “local” defina unicamente um conceito de identidade, o “lá em casa” confortável e seguro, contra o caos da modernidade, julgada às vezes dispersiva e “homologante”. A “Glocalização” é uma Globalização que estabelece limites: ela deve se adaptar às realidades locais, em vez de ignorá-las ou simplesmente destruí-las. Na verdade, ao provocar uma resistência a si própria – suscitando um movimento mundial de contestação – a Globalização, ironicamente e paradoxalmente, termina contribuindo para a concentração da atenção sobre as realidades locais. Na maioria das vezes, protestar contra a globalização tem um efeito contrario produzindo ainda mais Globalização. Ora, para ganhar a causa do “local” se tem que agir no nível global, porem se utilizando das novas tecnologias a fim de maximizar a ação localmente.

Um outro sociólogo suíço, nascido em Montevidéu, Blaise Galland, definiu assim o processo de glocalização: “É um duplo processo no qual a cidade abdica de sua função de produção, de cambio e de tratamento da informação e se desloca no ciberespaço desenvolvendo consequentemente novas formas de organizações sócio-espaciais no nível local.”

Vivemos num mundo “glocalizado”. Pensar globalmente, mas agir localmente é o lema do momento.

Dochakuka é uma palavra japonesa que diz que as técnicas aplicadas para cultivar as terras devem se adaptar às condições locais. No nosso entender, Dochakuka é a origem do “glocal”.

Analisaremos agora a Empresa Americana Mc Donald´s e suas diversas adaptações em algumas partes do mundo que tem como finalidade atrair a clientela local e ganhar competitividade.

McDo está praticamente em 120 países. Na África, só o Egito e a África do Sul têm o privilegio de ter franquias de Mc Donald´s.

Em 1963, um franqueado de Mc Donald´s de um bairro católico de Cincinatti, nos EUA, verificando que nas sextas feiras a freqüência de consumidores diminuía na sua loja, devido ao respeito pela abstinência à carne neste dia, criou um novo produto que ele chamou Filet-O-Fish a base de peixe e trouxe de volta sua clientela católica, não só nas sextas feiras, mas também em outros dias. Hoje em dia, o Filet-O-Fish está em quase todos os Mc Donald´s do mundo.

  • A Noruega introduziu um Mc Lacks a base de Salmão grelhado.
  • O Uruguai lançou um Mc Huevos, na base de ovo poché.
  • Nas Filipinas se criou o Mc Spaghetti.
  • No Japão um hambúrguer a base de frango (Teriyaki).
  • Em Singapura no hambúrguer o pão é substituído por arroz.
  • Na Tailândia hambúrguer ao porco Samurai.
  • Em Taiwan o Hambúrguer é cercado de panquecas de arroz. Venderam 5.000.000 em seis meses.
  • Em Hong Kong desde 2002 as fritas são substituídas por uma tigela de arroz para quem pedir.
  • Na China, devido ao imenso território, Mc Donald´s idealizou quatro menus diferentes segundo as regiões.
  • Na França, os Big Mac são um pouco mais açucarados que em outros lugares.
  • Em Israel, o Big Mc Casher trouxe de volta os consumidores seguidores da religião judaica. Eles não podem comer carne e queijo ao mesmo tempo.
  • No Oriente Médio, os hambúrgueres servidos são Halal. Os alimentos não Halal, são considerados Haram, i. e não são aceitos pela religião islâmica.
  • Na Índia, sendo a Vaca animal sagrado para os Hindus, não existe Big Mac, mas menus servidos a base de carneiro que substitui a carne de vaca. Os seguidores da religião JAÏN não comem carne em nenhuma hipótese e têm a disposição menus vegetarianos.
  • Nos países islâmicos não existe carne de porco nas lojas, a religião não permite.

Esta lista não é exaustiva. Foi, portanto esta política que permitiu ao Mc Donald´s, graças a um inicio de “Glocalização” alargar seus horizontes e ganhar mais competitividade atraindo consumidores de outras cadeias de fast food para as suas lojas.


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